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Automatização de Processos | Tools

Zapier, Make ou Power Automate: que plataforma encaixa no seu ecossistema?

· 6 min

Zapier, Make e Power Automate resolvem o mesmo problema de partida: ligar sistemas que não falam entre si, sem escrever código. A diferença entre estas três plataformas de automação não está na lista de funcionalidades — está na forma como cada uma conta o que lhe fatura, e no que a sua empresa já paga sem dar por isso.

Parece uma distinção técnica. Não é. É ela que decide se o mesmo fluxo lhe custa 12 ou 150 dólares por mês.

Três modelos de faturação disfarçados de três interfaces

O Zapier cobra por tarefa. Segundo a documentação oficial, uma tarefa é cada passo de ação concluído com sucesso. Os gatilhos nunca contam. Os filtros que travam o fluxo também não. Ações que dão erro, idem. Conta o que corre bem — uma vez por cada passo.

O Make cobra por crédito. Cada módulo executado num cenário gasta um crédito. A lógica de fundo é a mesma do Zapier: mais passos, mais consumo.

O Power Automate não cobra por volume. Cobra por licença de utilizador. O plano Premium custa 15 dólares por utilizador e por mês, em pagamento anual. O volume de execuções não muda esse número — o que muda é quem, e a que sistemas toca.

São três unidades de medida diferentes. Comparar os preços de tabela sem as perceber é a forma mais comum de escolher mal.

O exemplo que decide: 400 faturas por mês

Peguemos num fluxo concreto de uma PME. Chega a fatura do fornecedor por email, os dados são extraídos do PDF, validados contra a encomenda, lançados no sistema e confirmados ao fornecedor. Um gatilho e cinco ações. Quatrocentas faturas por mês.

Zapier: cinco ações por fatura, 2000 tarefas por mês. O escalão de entrada do plano Professional dá 750 tarefas por 19,99 dólares mensais em pagamento anual, segundo a tabela de preços da Zapier. Ou seja: esse escalão esgota-se por volta da fatura número 150. É preciso subir de escalão, e o preço sobe com ele.

Make: seis módulos por fatura, 2400 créditos por mês. O plano Core dá 10 000 créditos por 12 dólares mensais, de acordo com a tabela de preços do Make. O mesmo fluxo cabe lá quatro vezes.

Power Automate: se todos os conectores forem padrão — Outlook, SharePoint, Excel — e a equipa já tiver Microsoft 365, o custo adicional pode ser zero. Se for preciso um conector premium, passa a 15 dólares por utilizador e por mês.

Este cálculo é nosso, não é um estudo de fornecedor: multiplicámos o número de passos faturáveis pelo volume mensal e confrontámos com os escalões publicados em agosto de 2026. Os preços são os oficiais; a aritmética está à vista para poder refazê-la com os seus números.

Repare no que faz mesmo a diferença. Não é o volume de faturas — é o número de passos. O mesmo volume num fluxo de dez passos dá 4000 tarefas no Zapier e continua a dar 400 execuções noutras plataformas de automação que faturam por execução, independentemente da complexidade.

Power Automate: o que já está pago, e onde é que isso acaba

Esta é a parte que quase todas as comparações erram, e a que mais dinheiro custa a quem decide.

Se a sua empresa tem Microsoft 365, os utilizadores já têm direitos de Power Automate incluídos. Mas incluídos com limites muito precisos. A documentação de licenciamento da Microsoft é explícita: a licença herdada do Microsoft 365 dá acesso a conectores padrão e a 6000 pedidos por utilizador e por dia. Conectores premium e conectores personalizados não estão incluídos.

Na prática, isto significa que mover um ficheiro do Outlook para o SharePoint não custa nada além do que já paga. Mas chamar uma API externa, ligar a um SQL Server, ao Salesforce ou ao Dataverse já é território premium — e obriga à licença de 15 dólares por utilizador.

A frase "o Power Automate já vem incluído" é verdadeira até ao dia em que o fluxo precisa de tocar num sistema que não é da Microsoft. Normalmente, é ao segundo fluxo.

Para automação pesada há ainda o plano Process, a 150 dólares por bot e por mês, e o Hosted Process, a 215. São números de outra ordem de grandeza, e raramente entram no orçamento de uma PME por engano — entram quando alguém precisa mesmo de RPA não assistido.

Zapier: o mais rápido a montar, o mais caro a crescer

O Zapier continua a ganhar em duas coisas: catálogo de aplicações e tempo até ao primeiro fluxo a funcionar. Se a ferramenta de nicho que usa tem integração em algum lado, é provável que seja aqui.

O plano gratuito dá 100 tarefas por mês e apenas dois passos: um gatilho e uma ação. Basta querer um filtro ou uma segunda ação para sair do plano gratuito. É uma limitação de desenho, não de volume.

A contagem de tarefas é, em si, honesta — não paga por erros nem por filtros. O problema não é a contagem, é o multiplicador. Cada passo que acrescenta ao fluxo multiplica-se pelo volume, todos os meses, para sempre.

Make: o meio-termo, com uma nota nos horários

O Make é visivelmente mais barato por operação e o editor visual ajuda quem quer perceber o fluxo de dados sem o ler como código.

Duas limitações que raramente aparecem nas comparações. O plano gratuito permite apenas dois cenários ativos e um intervalo mínimo de 15 minutos entre execuções agendadas — o mesmo intervalo mínimo aplica-se ao plano Core. Para agendamento ao minuto é preciso o plano Pro, a 21 dólares mensais.

Se o seu processo tolera 15 minutos de atraso, isto é irrelevante. Se é uma notificação a um comercial sobre um lead que acabou de chegar, não é.

A segunda nota: o Make passou a faturar em créditos em vez de operações. Módulos normais mantêm-se em um crédito por execução. Mas os módulos de IA nativos do Make deixaram de ter custo fixo e passaram a refletir o consumo real. Um cenário com IA já não é orçamentável só a contar módulos.

Quando nenhuma das três é a resposta certa

Três situações em que a escolha não está nesta lista.

Os dados não podem sair da sua infraestrutura. As três são serviços cloud de terceiros. Se trabalha com dados clínicos, jurídicos ou financeiros sujeitos a regras internas de residência, a conversa é outra: a alternativa é uma plataforma que corra em servidor próprio, como explicámos no artigo sobre o n8n.

Os fluxos têm muitos passos. Plataformas que faturam por execução, e não por passo, mudam completamente a matemática quando os fluxos são longos. Quatrocentas execuções são quatrocentas execuções, tenham cinco passos ou vinte e cinco.

O processo ainda não está estável. Nenhuma destas ferramentas resolve um processo que ninguém consegue descrever do princípio ao fim. Automatizar um processo confuso só o torna confuso e rápido. Antes de escolher plataforma, vale mais medir o que o processo manual custa hoje e confirmar que é mesmo um dos processos que compensa automatizar.

Três perguntas que resolvem a decisão

A empresa vive dentro do Microsoft 365? Comece pelo Power Automate e verifique, antes de mais, se os conectores de que precisa são padrão ou premium. Essa resposta muda o custo de zero para 15 dólares por utilizador.

Os fluxos são curtos e as aplicações exóticas? O Zapier compensa o preço por tarefa com o catálogo e a velocidade de montagem.

O volume é alto e os fluxos longos? O Make é o mais barato das três, e vale a pena comparar com plataformas de automação que faturam por execução antes de fechar.

Antes de assinar qualquer plano, faça uma conta em cinco minutos: número de passos faturáveis do fluxo, multiplicado pelo volume mensal, multiplicado por doze. É esse número que está a comprar, não o preço de tabela.

Se não conseguir estimar esse volume, o problema ainda não é a plataforma — é o processo.